LYRA
Uma coleção sobre permanência
Em 9 de março de 2007, por volta das 17h, o tempo desacelerou.
A notícia chegou pela voz do meu padrinho de batismo: minha mãe havia partido. Naquele instante, tudo o que consegui imaginar foi o céu — e uma estrela muito brilhante surgindo nele.
Eu tinha apenas 10 anos. Ainda não entendia completamente o que era ausência, mas senti, pela primeira vez, o vazio que só o amor deixa quando precisa continuar de outra forma.
Com o tempo, compreendi que ela nunca se foi por inteiro.
Há pessoas que permanecem na maneira como enxergamos o mundo, no cuidado, na força silenciosa e nas partes de nós que seguem existindo mesmo depois da despedida.
Lyra nasceu dessa permanência.
Inspirada na constelação que carrega o mesmo nome — pequena em extensão, intensa em brilho — a coleção representa luz, memória e presença.
Minha mãe era assim. Delicada e forte ao mesmo tempo. Marcante sem precisar chamar atenção.
Cada peça da coleção carrega fragmentos dessa lembrança: sua delicadeza, sua intensidade e a forma única como transformava tudo ao redor apenas existindo.
Lyra é o meu tributo.
Uma coleção criada para transformar saudade em presença, memória em detalhe e amor em algo que permanece.
Porque existem sentimentos que o tempo não apaga. Apenas transforma.